Estimulação magnética ajuda a tratar pacientes com depressão em SP

O equipamento cria um campo magnético que penetra no cérebro, sem corte, sem dor. No total, são 15 minutos de sessão.

Em São Paulo, uma nova técnica promete abreviar o tratamento da depressão. É a estimulação magnética transcraniana profunda, que está sendo testada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Esse tratamento não tem nada a ver com aquelas técnicas antigas, que usavam choque elétrico no paciente. Agora, os médicos usam ondas eletromagnéticas, para estimular determinadas partes do cérebro.

São dois segundos e meio de estímulo para pouco mais de 27 segundos de intervalo. No total, são 15 minutos de sessão. Com o tratamento, a nutricionista diminuiu de nove para dois a dose diária de remédios e já viu desaparecer alguns sintomas. E o tratamento dela está só no início.

 

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“Achei que melhorou a ansiedade, a insônia. Com as medicações eu tinha muita sudorese, tremor, taquicardia, isso passou”, conta uma paciente.

O equipamento cria um campo magnético que penetra no cérebro, sem corte, sem dor. A estimulação eletromagnética transcraniana já é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e alguns planos de saúde cobrem esse procedimento.

No HC, nove mil pacientes já foram tratados ao longo de 14 anos. “Essa região do cérebro no deprimido estava funcionando menos, ou seja, estava hipoativa. A tendência é de regular essas regiões com tratamento, e depois isso vai ter uma sequencia de efeitos dentro do cérebro”, afirma Marco Marcolin, coordenador do serviço.

Agora o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo começou um estudo inédito no Brasil para o tratamento da depressão bipolar. A máquina tem o mesmo princípio da outra, a diferença é que ela consegue atingir regiões mais profundas do cérebro.

A mesma pesquisa está sendo realizada em outros quatro centros no mundo. O aparelho produz estímulos a oito centímetros de profundidade e não a três, como na técnica tradicional.

A expectativa é que o equipamento reduza o tempo de tratamento e o uso de medicamentos, com seus respectivos efeitos colaterais. “Poucos anos atrás, era necessário uma neurocirurgia, fazer um furo, colocar um eletrodo dentro da cabeça da pessoa para fazer esse tipo de coisa. Hoje você consegue, de forma indolor, sem anestesia, sem coisa nenhuma, regular esses circuitos ou estudar esses circuitos”, afirma Marcolin.

É a esperança da paciente que acabou de passar pela terceira sessão. “Tinha muito tempo que não tinha vontade de passar batom, de maquiar, de sair de casa. Hoje já tenho uma esperança. Ter um pouco mais de bom humor, coisa que eu não tinha antes”, comemora uma paciente.

Essa pesquisa ainda aceita pacientes dispostos a participar. Eles precisam ter de 18 a 65 anos. Para se inscrever, é só mandar um email para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Fonte: G1

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